quinta-feira, 7 de março de 2013

O legado

Quando eu era jovem e morava no Brasil eu não costumava escutar muita música brasileira. Não gostava muito dos estilos de música nascidos no país, apenas do rock brasileiro, que minha mãe me ensinou a gostar. E não foi só a minha mãe, meus tios também adoravam várias bandas brasileiras. Mas o que mais lembro mesmo era minha mãe cantando em outros idiomas, e o primeiro que me chamou a atenção foi o espanhol. Naquela época, estou falando de pelo menos mais de vinte anos atrás, entre os cantores da América Latina, apenas a Mercedes Sosa era conhecida por grandes públicos. Minha mãe era apaixonada por ela. Foi a um de seus shows, tinha toda a discografia e quase chegou a fazer uma viagem para a Argentina só para conseguir um CD dela que não se conseguia no Brasil. Bah, CD não, por que naquela época essas coisas não existiam. Ela queria mesmo era um disco (daqueles de vinil que com certeza a maioria das pessoas que leem esse blog não vão nem imaginar o que é). A influência foi tanta, que passei a gostar (para não dizer adorar) as bandas estrangeiras, e podia ser de qualquer lado do mundo, até bandas francesas de rock eu cheguei a escutar e a ir a shows. Assim como minha mãe, fui crescendo ouvindo world music e para não dizer que não somos mãe e filha, até uso lentes multifocais como ela. Somos iguais e quem nos vê capaz que não percebe que somos mãe e filha, pois parecemos mais irmãs do que qualquer outra coisa. Depois que vim morar em Buenos Aires pensei que deixaria de parecer tanto com ela, mas a verdade é que mesmo à distância a gente se parece muito, inclusive nos gostos. Eu ainda fico impressionada: que boa influência ela foi para mim!

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